Eletroestimulação Muscular Integral (WB – EMS) – logro ou eficiência?

Dizer que ficar ligado a uma máquina durante 20 minutos equivale a três treinos no ginásio, pode parecer ficção. Acrescentar que, nesses 20 minutos, se exercita o corpo inteiro a uma intensidade difícil de igualar comparativamente ao treino convencional e com resultados perceptíveis no imediato, parece inverosímil. Este é o desafio de falar sobre o treino de eletroestimulação muscular integral (EMS) a quem nunca experimentou: explicar a sua eficiência sem parecer mistificação.
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A verdade é que parece impossível haver uma ferramenta de treino tão potente e ao mesmo tempo ainda pouco conhecida em Portugal. Mas, quando se começa a perceber a metodologia do treino, os resultados deixam de parecer logro e começam a fazer sentido mesmo para os mais céticos.

Compreender a eficiência do treino
Sem entrar em grande detalhe, veja-se um exemplo comparativo: na execução do exercício curl para bíceps, basicamente só se exercita eficazmente o bícep braquial. Se considerar a realização de 3 séries de 10 repetições, os músculos envolvidos só estarão contraídos por um período total de aproximadamente 30 segundos.
Com o treino de EMS integral, todos os músculos são contraídos independentemente do exercício que se está a fazer, uma vez que se trabalham os agonistas, antagonistas e os sinergistas em simultâneo. Considerando um treino de EMS de força de apenas 20 minutos (com duração do impulso de 50% duty cycle), 90% dos músculos são contraídos por 10 minutos, uma vez que se concilia a contração provocada pela eletroestimulação à contração voluntária global, aliada a exercícios específicos.

Mas, todos os treinos de EMS são iguais?
Não! É neste aspeto que reside a credibilidade do treino de EMS. Em primeiro lugar, é fundamental perceber a diferença entre a eletroestimulação muscular localizada e a integral.

A primeira caracteriza-se, como o próprio nome indica, por trabalhar localmente, ou seja, os elétrodos (1-4 pares) são colocados apenas num determinado grupo muscular, trabalhando de forma estática e passiva na maioria dos casos.
Na EMS integral, trabalha-se com equipamento específico que contempla 8-10 pares de elétrodos colocados nos grandes grupos musculares (Braços, Coxas/Pernas, Glúteos, Dorsal, Lombar, Peitoral, Trapézio e Abdominal), o que permite trabalhar os músculos agonistas, antagonistas e sinergistas em simultâneo. Além disso, são colocados em lados opostos do corpo e com impulsos bipolares, permitindo trabalhar ambos os lados e prevenir ou até corrigir desequilíbrios. O treino é sempre ativo isométrico e/ou dinâmico, conciliando a contração voluntária à contração provocada pela eletroestimulação.

Em segundo lugar, e falando apenas na EMS integral, para garantir eficiência no treino é essencial ter em consideração dois aspetos fulcrais: a qualidade do equipamento e a preparação/conhecimento do profissional que o utiliza. 
No primeiro caso, a qualidade é balizada pela competência do equipamento, não apenas do dispositivo de eletroestimulação, como também do traje que contempla os elétrodos.
No que diz respeito ao profissional, mesmo para os Personal Trainers, Treinadores e Fisioterapeutas mais experientes, é indispensável a formação específica em EMS integral. Trata-se de uma ferramenta de treino poderosa e com características muito específicas e para se tirar proveito da mesma, é obrigatório dominá-la com segurança, conhecer os parâmetros de carga e adaptar os princípios básicos do exercício à eletroestimulação muscular integral.

Em suma, para obter os melhores resultados com este modelo de treino, será necessário equipamentos de grande qualidade, profissionais com um bom domínio não só ao nível da tecnologia, mas também no desenvolvimento de treinos que permitam maximizar o rendimento sempre em segurança.

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